A memória e o queijo
Resumo sobre Habitação nos Governos Socialistas, onde no meu entender foram relevantes e marcantes começando pela atitude firme e decisiva de Mário Soares (PR), que tanto o caracterizava perante o PM na altura. Assim, e como a memória por vezes falha fica a história onde todos os Portugueses podem analisar e tirar conclusões, onde também sei que poderia ser melhor, sim podia, mas contudo vou continuar a acreditar e a votar em politicas credíveis de um Partido que nunca vai trair os alicerces da Democracia e da Liberdade.
Eulália Barros
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O papel mais marcante de Mário Soares na área da habitação não ocorreu enquanto Primeiro-Ministro, mas sim enquanto Presidente da República (1986–1996), através do uso da sua "magistratura de influência". [1]
- Objetivo: Erradicar definitivamente as barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
- Impacto: Tornou-se o maior programa de habitação pública do Portugal democrático, permitindo a construção de dezenas de milhares de fogos e o realojamento de milhares de famílias vulneráveis em bairros históricos como o Casal Ventoso ou a Musgueira. [1, 2, 3]
- O realojamento passou a ser articulado com o recém-criado Rendimento Mínimo Garantido (RMG) (atual RSI), desenhado para apoiar a subsistência das famílias transferidas para os novos bairros.
- A abordagem começou a transitar da mera construção de edifícios suburbanos isolados para a necessidade de reabilitação urbana e inclusão em redes de transportes e equipamentos sociais, tentando mitigar os fenómenos de guetização que os grandes bairros sociais geravam. [1]
- Moratória ao crédito à habitação (2009): O Executivo anunciou uma linha de crédito e moratórias sobre as prestações do crédito à habitação para apoiar as famílias com dificuldades financeiras, com um custo estimado de 150 milhões de euros para o Estado naquele ano. [1]
- Provedor do Crédito (2009): Criação da figura do provedor do crédito para supervisionar e melhorar a relação entre a banca e os clientes, com especial atenção ao crédito à habitação e ao cumprimento de contratos e regras legais. [1]
Cronologia e Principais Marcos (2015–2020)- 2015/2016 (Início do Executivo):
- António Costa assume o cargo de Primeiro-Ministro em novembro de 2015.
- Em abril de 2016, o governo anuncia a intenção de criar um fundo de investimento (como o FNRE) focado na recuperação de casas para o mercado de arrendamento acessível, embora com forte dependência de reconversão e capital privado/institucional. [1, 2, 3]
- 2017 (Aumento da Pressão e Nova Prioridade):
- Em junho de 2017, perante a forte subida do turismo, do alojamento local e a escassez de casas nas grandes cidades (Lisboa e Porto), António Costa elege as políticas de habitação acessível como uma nova prioridade política do governo. [1]
- 2018 (Nova Geração de Políticas de Habitação - NGPH):
- O governo aprova e apresenta a Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH), legislando novos instrumentos.
- É criada a Secretaria de Estado da Habitação (com Helena Roseta e, mais tarde, Ana Pinho), autonomizando a pasta que antes estava muito ligada apenas aos Obras Públicas ou ao Ambiente.
- Lançamento de programas como o 1º Direito (apoio a famílias carenciadas) e o Programa de Arrendamento Acessível (PAA). [1]
- 2019 (Legislação e Orçamento do Estado):
- Implementação no terreno dos programas da NGPH, transferência de competências para as autarquias através das Estratégias Locais de Habitação (ELH).
- O mercado privado continuava a registar subidas acentuadas de preços devido à baixa oferta e ao aumento da procura externa. [1]
- 2020 (Impacto da Pandemia e PRR):
- Com a chegada da pandemia de COVID-19, o setor enfrenta novos desafios.
- Em novembro de 2020, António Costa anuncia a afetação de 1.251 milhões de euros para a habitação no âmbito do futuro Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apontando para o reforço do parque público de habitação nos anos seguintes. [1]
Balanço do Período- Aposta legislativa vs. Execução lenta: Embora este período tenha ficado marcado pela criação de um novo quadro legal e de programas estruturais (como o 1º Direito e a NGPH), críticos e relatórios posteriores apontam que a construção e entrega de habitação pública tardou em materializar-se no terreno, coincidindo com uma fase em que os preços de compra e arrendamento em Portugal dispararam de forma acentuada. [1, 2, 3]
- 2015/2016 (Início do Executivo):
- António Costa assume o cargo de Primeiro-Ministro em novembro de 2015.
- Em abril de 2016, o governo anuncia a intenção de criar um fundo de investimento (como o FNRE) focado na recuperação de casas para o mercado de arrendamento acessível, embora com forte dependência de reconversão e capital privado/institucional. [1, 2, 3]
- 2017 (Aumento da Pressão e Nova Prioridade):
- Em junho de 2017, perante a forte subida do turismo, do alojamento local e a escassez de casas nas grandes cidades (Lisboa e Porto), António Costa elege as políticas de habitação acessível como uma nova prioridade política do governo. [1]
- 2018 (Nova Geração de Políticas de Habitação - NGPH):
- O governo aprova e apresenta a Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH), legislando novos instrumentos.
- É criada a Secretaria de Estado da Habitação (com Helena Roseta e, mais tarde, Ana Pinho), autonomizando a pasta que antes estava muito ligada apenas aos Obras Públicas ou ao Ambiente.
- Lançamento de programas como o 1º Direito (apoio a famílias carenciadas) e o Programa de Arrendamento Acessível (PAA). [1]
- 2019 (Legislação e Orçamento do Estado):
- Implementação no terreno dos programas da NGPH, transferência de competências para as autarquias através das Estratégias Locais de Habitação (ELH).
- O mercado privado continuava a registar subidas acentuadas de preços devido à baixa oferta e ao aumento da procura externa. [1]
- 2020 (Impacto da Pandemia e PRR):
- Com a chegada da pandemia de COVID-19, o setor enfrenta novos desafios.
- Em novembro de 2020, António Costa anuncia a afetação de 1.251 milhões de euros para a habitação no âmbito do futuro Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apontando para o reforço do parque público de habitação nos anos seguintes. [1]
- Aposta legislativa vs. Execução lenta: Embora este período tenha ficado marcado pela criação de um novo quadro legal e de programas estruturais (como o 1º Direito e a NGPH), críticos e relatórios posteriores apontam que a construção e entrega de habitação pública tardou em materializar-se no terreno, coincidindo com uma fase em que os preços de compra e arrendamento em Portugal dispararam de forma acentuada. [1, 2, 3]
Habitação é um dos pilares fundamentais do Plano de Recuperação e Resiliência
PRR vai financiar a nova geração de políticas de habitação para disponibilizar casas a custo mais baixo às famílias

Primeiro-Ministro António Costa na apresentação das políticas de investimento do Plano de Recuperação e Resiliência em habitação, Lisboa, 9 julho 2021 (Foto: Rodrigo Antunes/Lusa)
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